Por que Bitcoin?

É sempre válido relembrar alguns dos fundamentos que dão valor a esse novo ativo.

 

Sua verdadeira riqueza é seu tempo e sua liberdade, dinheiro é apenas uma ferramenta para armazenar o que se chama de Energia Econômica, ou seja, o fruto de suas escolhas e seu tempo de vida, seu trabalho. Há décadas, no mundo todo, gerações inteiras têm sido enganadas à usar moeda ao invés de dinheiro, aqui no Brasil é comum, inclusive, tratar essas palavras como sinônimos. As moedas como usamos hoje são maliciosas impostoras e estão silenciosamente nos roubando a verdadeira riqueza: Tempo e Liberdade.

 

Uma das razões pelas quais crises financeiras ao redor do mundo têm se tornado cada vez mais frequentes é que a maioria das pessoas não compreendem a diferença dinheiro e moeda. Existem 6 características que algo deve ter para ser usado como moeda:

  1. Meio de troca
  2. Unidade de conta
  3. Portátil
  4. Durável
  5. Divisível
  6. Fungível (R$1,00 em minha carteira compra o mesmo que R$1,00 na sua carteira)

Dinheiro possui todas essas caraterísticas mais uma: Reserva de valor ao longo de longos períodos de tempo. A raiz da questão está na escassez, quem controla a emissão daquilo que nós chamamos de dinheiro?

 

Ouro, por exemplo, é dinheiro por que não pode ser criado por nenhuma instituição, é algo genuinamente escasso por natureza. Se não pode ser inflacionado, seu poder de compra se mantém ao longo do tempo! O mesmo ouro que os egípcios usavam em suas trocas há milhares de anos ainda existe e ainda pode comprar algo. Antes da 1ª guerra mundial, dólares americanos eram apenas recibos de ouro, o papel moeda que circulava e era utilizado no dia-a-dia não era de valor em si, apenas representava o dinheiro de fato que estava guardado nos bancos.Quando o dólar tinha lastro

(Tradução: VINTE DÓLARES em moedas de ouro, pagáveis ao detentor sob demanda)

Embora transacionar com títulos de propriedade de ouro tenha, sem dúvidas, facilitado e incrementado o comércio internacional, abriu-se, também, a possibilidade de fraude: A emissão de mais “recibos para ouro” do que ouro de fato nos cofres, dólares sem lastro. A confiança milenar e descentralizada que antes era depositada na natureza passou a ser centralizada e depositada numa instituição, o Federal Reserve Bank. Bom, se o poder corrompe imagine o poder de imprimir riqueza à custo alheio, a fraude era simplesmente irresistível e foi exatamente o que aconteceu.  À medida que outras nações foram percebendo e exigindo o ouro dos cofres americanos, ficou claro para o FED de que a fraude seria impagável, o que culminou no fim do Sistema Monetário Internacional de Bretton Woods, o abandono do Padrão Ouro, pelo presidente Nixon, em 1971:

 

Hoje, quase todas as moedas ao redor do mundo são fiduciárias, ou seja, lastreadas apenas na confiança em quem as emite, e têm sua base monetária inflada pelos Bancos Centrais de seus respectivos países. É por isso que todas elas fazem um péssimo papel como reserva de valor e jamais deveriam sequer ser chamadas de dinheiro. Nosso Real não é diferente e não é necessário ser nenhum economista ou matemático para enxergar isso, basta observar quanto poder de compra o Real perdeu nos últimos anos. Não dá para imprimir riqueza. Qualquer medida que aumente a base monetária, na prática, apenas transfere riqueza para quem tem acesso privilegiado à moeda recém-criada. O arranjo atual prejudica as pessoas mais produtivas da sociedade: Aqueles que produzem mais do que gastam e guardam a diferença, porque essas pessoas guardam em sua moeda nacional. Essa corrupção do dinheiro gera diversos incentivos distorcidos e a lista de consequências negativas desse sistema é vasta e complexa demais.

Se o sistema monetário atual está fadado ao fracasso, qual virá a substituí-lo? Só o tempo dirá. Felizmente, o avanço tecnológico não para, e já temos novamente a possibilidade de descentralizar a confiança, depositá-la em software, via Blockchain. Bitcoin pode ser melhor compreendido como um programa de computador distribuído que permite transferência de valor usando uma moeda protegida de qualquer inflação inesperada, sem a necessidade de um intermediário. As regras de consenso estão definidas no código do programa e não podem ser alteradas por nenhuma instituição ou indivíduo. Embora seja uma invenção nova da Era Digital, o problema que essa tecnologia se propõe a resolver (prover uma forma de dinheiro que está totalmente sobre o controle do dono, incensurável e com alta probabilidade de manter seu valor ao longo do tempo) é tão antigo quanto a própria humanidade. Uma criação de potencial incrível, fantasiada como um esquema de enriquecimento rápido.

Concluindo, o Bitcoin ainda precisa evoluir muito para se difundir como meio de troca, mas possui todas as outras características que definem moeda e é genuinamente escasso, assim como o ouro. Pela primeira vez na história, existe uma alternativa ao sistema bancário tradicional, fácil de custodiar e ao alcance de qualquer indivíduo no planeta independente de raça, credo ou classe social, basta ter acesso à internet.

É claro que existem diversos outros fatores que influenciam na cotação que ainda é muito volátil. Independente do fato de que, atualmente, são a minoria os envolvidos que usam o Bitcoin como reserva de valor, essa é uma propriedade valorosa e importantíssima do sistema, que veio para ficar. O Bitcoin ainda é um bebê, no momento em que escrevo tem míseros US$120bi de capitalização de mercado, uma gotinha no oceano da economia global… Por enquanto.